Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo fire

Pra sonhar

Que se danem o senso crítico, a Pós Modernidade, os profissionais do mau agouro Que fique no passado o que nos passou Non, rien de rien Quero me casar ao som de Marcelo Jeneci Assim "Pra sonhar" E nos entorpecer para viver os dias cinzas Eu aceito pagar língua, assumir-me irremediavelmente romântica Com a licença de Pessoa, ser ridícula Ao seu lado.

E bota no corpo uma outra vez

Subiu no armário Buscou o saco com as fantasias e os apetrechos de carnaval Riu ao lembrar do dia em que usou aqueles cílios postiços E sentiu o coração gelado quando viu aquela saia de bailarina Era apenas objetos... carregados de lembranças e cheiros No cantinho da mente, tocava aquela trilha sonora As lembranças desbotadas de vodca Respirou fundo Misturou os acessórios novos com aqueles cheios de histórias Sorriu E decidiu se jogar nos braços do Rei Momo Como se fosse a primeira vez

Indiscreta

A noite foi de revelações Indiscretas Íntimas Indecentes Ele levaria dali muitas imagens Cheiros Gostos Sussurros Mas a imagem fixa Perturbadora Era da tatuagem dela Pequena, que ocupara todo o pensamento dele

Expectativa

A proximidade do réveillon trouxe a expectativa Passaremos juntos, pés na areia, mãos dadas A virada será em meio a beijos Ela até compro aquele vestidinho lindo que viu na vitrine Riu imaginando a cara dele ao vê-la pronta para a festa E se permitiu imaginar um pouco mais Mas já era metade de dezembro Eles mal se falaram naquela semana E ela não sabia como falaria do convite Nem tão longe na cidade, mas muito distante nas ideias Ele não havia pensado no tema Gostava dela, mas gostava muito mais dos fogos Ela ainda não tinha admitido Mas o coração ia dar uma pontadinha na virada E ela pularia as ondas, desejando um Ano Novo com mais sorte no amor

Entorpecidos

O assédio machista A manobra grotesca no Congresso O avião no chão Tanto susto, que ficamos feito entorpecidos Que nos queime o sangue Que nos salte aos olhos Que nos core a pele Que nos fuja o grito dos pulmões Precisamos, urgente, de um golpe insano de fé em dias melhores E coragem, muita coragem, para ver e dizer que não.

João Bobo

O coração era João Bobo Se animava Apanhava Caía E encarava uma outra vez A cada volta Um hematoma Uma descoberta Uma música na caixola Uma certa vertigem E um desejo incontrolável De se animar mais uma vez A dois

Rádio

Ele usava um allstar azul O 12 era o seu andar Disse pouco E ela imaginou tudo Em meia hora mudaria a vida dela E quando ele fosse embora ela teria um coração de marinheiro O amor duraria o tempo da canção do rádio

Ilusão

Dias nublados Turbulências e truculências sociais E quanto mais a vida mostrava os dentes Mais eles se enredavam na pele do outro Ficavam assim aquecidos, amornados, ludibriados, torpes Docemente iludidos

Um amor em Bangkok

A lembrança dele seria montada num amontoado de coisas. Tanta gente, tantos, cheiros, tantos sons. O gosto agridoce. Os olhos dele se destacaram na multidão. Entre chamados de vendedores, uma centena de passantes, uma dúzia de culturas, e o sorriso dele apareceu. Nos olhos dele, ela passou com os pés leves. Flutuando. Os idiomas distantes, as alturas tão diferentes, vidas que só poderia se misturar ali naquela caos, em meio a um tudo. Ela até tentava ver algum romantismo nas bicicletas que passavam pelas ruas de Bagkok, nos tuk tuks desengonçados, nas árvores gigantes, nas ruas estreitas, nas flores. Ah, as flores! Mas o encanto morava no olhar dele. Um ponto de paz. Um brilho direcionado a ela. Um amor tão instantâneo quanto efêmero.

Depois da folia

O carnaval jogou confetes Encheu de brilho Vestiu (micro) fantasias Cantarolou alalaoooooo Até chegar a quarta feira A colombina voltou para o salto O pierrot apertou a gravata Os sonhos voltaram para o armário Mas as marcas da euforia Deixaram rastros na alma Um baticum no pé E um sorriso no canto da boca

Teimosia

- Vai, coração, bate forte! - Não bato. - É carnaval! Samba! - Não sambo. - Veste uma fantasia,  muda o ritmo! - Não quero. - Pra quê ser um samba de uma nota só? - Eu gosto. - Mas é carnaval e não me diga mais quem é você.... - Amanhã tudo volta ao normal... - Então posso vestir minha saia de bailarina? - Tá bom, mas sem exageros, heim! - Só até quarta-feira!

Tum tum tum

Quantas cores, ó, quanta alegria Uma semana antes do carnaval tinha todas as fantasias Orelhas e rabinhos, saias de fru fru Olhos grandes, delineados, coloridos A boca tão gostosa Euforia Fire Detrás de cada personagem, o desejo de sempre Queria voltar pra casa de mãos dadas Se aconchegar no peito encantado dele E sentir o tum tum tum no coração

(Des)entendimentos

Não,  eu não entendo as suas explicações Muito menos as justificativas No nosso caso, compreendo apenas a lei do querer O diálogo estabelecido entre os nossos olhos e poros A cadência deliciosa dos nossos argumentos A sensação de torpor que sua presença me traz Não,  não estou perguntando como será amanhã Me interessa que seja do tamanho que nos faça bem Nem um milímetro a mais

Manhãzinha

Quando acordaram de manhã,  estavam constrangidos. Ela escondeu o corpo com o lençol.  Ele ficou um tempinho com os olhos fechados, pensando em como agir. Os embalos da noite levaram os dois para aquela cama, mas a singeleza da manhã ainda não tinha dado respostas do que fazer. Ela olhou para o lado e viu suas roupas. Teria que se levantar para pegar. Preferiu se enrolar um pouco mais no lençol. As lembranças vinham em flashes. Lembrou da conversa animada, os argumentos instigantes, os risos, o beijo quente e as mãos firmes. Ele, com os olhos fechados, ainda sentia o gosto dela. Estranho, mas desta vez não sentiu pressa de ir embora. Olhou para ela e sorriu. Ela, um pouco envergonhada, sorriu também.  - Vamos tomar um café? O constrangimento,  aos poucos, foi dando lugar à intimidade.

Now

O meu tempo galopa Retumba no peito Escorre pela alma Domina os pensamentos Dentro de mim O que me revira O que me inflama Faz morada no agora Agora O sal do suor O arrepio da pele O sussurro no ouvido Agora A ausência A interrogação A torcicolo no pescoço Depois O corpo esfria Os pensamentos se organizam E o meu relógio finge ser normal

Réveillon

Começar um amor é feito virar o ano Você continua você, ele continua ele Mas há aquela expectativa de que desta vez será melhor Será melhor porque é o amor começando outra vez Porque vocês aprenderam com o último E a vida está dando uma nova oportunidade É réveillon no coração Cheio de esperanças E brinde à felicidade Se der certo, mais um ano juntinhos pra renovar os votos Se der errado, logo logo vem outro aí