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Mostrando postagens com o rótulo Chico Buarque

Valsinha

Um dia ela ficou tão diferente Algo no cabelo Talvez no olhar O jeito de vestir Era dentro Nas entranhas Nada era para ele Mas ele viu Cada detalhe Gostou do brilho E se achegou Mais dentro "E ali dançaram tanta dança Que a vizinhança toda despertou E foi tanta felicidade Que toda cidade se iluminou E foram tantos beijos loucos Tantos gritos roucos como não se ouvia mais Que o mundo compreendeu E o dia amanheceu em paz"

Apenas música

Os anos me ensinaram a ver muita doçura na acidez de Zé Ramalho Beleza no machismo de Vinícius Amor na baranguice do Roberto Carlos Os anos não desligaram a trilha sonora do Chico que toca na minha cabeça Nem a euforia às vezes tensa das músicas do Skank E insistem que o Zeca Baleiro pode embalar quase todos os meus momentos Amo todos Letra Música Melodia As histórias da minha vida que eles cantam por aí

Diário

Todo dia ela faz tudo sempre igual Antes de dormir Procura as marcas que ele deixou no dia dela Vasculha na pele, nos textos, na lua Na camiseta quase escondida na gaveta Nas mensagens e nas entrelinhas Encontra pegadas de sentimentos Indícios de intimidades Pedaços dele que ela roubou Pedaços dela que ele abduziu

Encontro

No dia em que você chegar, a minha casa vai ter flores No meu rádio vai tocar aquela música do Chico Os meus olhos estarão brilhando E vai ter um sorriso nos meus lábios Acho até que era você naquele dia na praça, mas choveu e te perdi de vista Também acho que era o seu gosto naquele beijo Ou quem sabe foi você quem me disse aquelas palavras de carinho e aconchegou meu coração No dia em que você chegar eu vou achar que sempre esteve aqui Pois sentiu de longe o perfume das flores, ouviu aquela do Chico, e me olhou adorando meu sorriso Neste dia, eu serei eu, você será você, e nada mais

Viver para contar

Ainda no começo, quando tanta coisa parecia encanto, a narrativa era cheia de suspiros. "Ele é tão..." e haja reticências. O tempo foi passando, os fatos se apresentando, eles se conhecendo, um marcando a vida do outro. Ah, tantas histórias! Teve aquele dia do sorvete de pistache, aquele outro em que escapou um "eu te amo", aquele aperto de mão que segurou a alma dela quando ela precisou. Teve dúvida, teve perguntas, teve reviravoltas. O coração bateu, as emoções fizeram deles uma morada. Quando sentiram cheiro do fim, as histórias dançavam na cabeça deles, nas almas entrelaçadas. Quando acabou, passou o rancor, ficou aquela história daquele dia branco, daquele barquinho tão pequeno dentro do mar azul, daqueles corações que tentaram e conseguiram muitas coisas. "Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso, são bonitas, não importa, são bonitas as canções"

Ela faz cinema

Ela olhou nos olhos dele Sorriu Mordeu levemente os lábios  Desatou os longos cabelos negros A partir daí ele sabia Se perderia no corpo dela Ficaria entorpecido Era o céu Ela se vestiu De novo olhou para ele Desta vez desviou o olhar Um sorriso leve Um beijo seco Ele fez o café Ela tomou em silêncio Ela calçou os sapatos Ele assistiu a cena Ela não voltaria E a presença dela por tempos ficaria ali.

Ele pode esperar

- Hola, María! Soy yo. Não podia ser. Quase duas décadas depois e era ele ao telefone. Ainda que ela estivesse sentada, as pernas tremiam. Na cabeça, começou o Chico. Não se afobe não, que nada é pra já. O amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio, num fundo de armário... - Oi. - Estoy en Brasil. Pronto. Era a senha. O coração disparado. O sangue corria com pressa. A cabeça dava voltas. Fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização. - Pero estoy en Manaus, demasiado lejos. Lejos estava a razão dela. Como podiam bater assim os joelhos? De onde vinha essa reação? Onde ficou guardado tudo isso por tanto tempo? Quanto será que custa uma passagem pra Manaus? Se eu for na sexta será que segunda chego a tempo daquela reunião?  - Llamé porque quería oírte. Como estás? - Estou bem. Acho que melhor agora. Futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber do amor que eu um dia deixei pra você.

#tamojunto

Eu vou lhe dar a medida do Bonfim E também o disco do Pixinguinha Tem um poema lindo do Neruda que quero ler para você  Comprei lençóis novos Tanta lembrança velha precisando acomodar aqui dentro Sei lá, de repente uma esperança Vontade de dar certo Vou renovar a identidade, o passaporte Vamos tomar a saideira juntos Dar as mãos por aí

Back on track

Tudo nos seus lugares Todo o para casa feito Caminho trilhado e percorrido Tudo certo como dois e dois são cinco O que será que será Que dá dentro da gente e que não devia Que desacata a gente, que é revelia Que é feito uma aguardente que não sacia Que é feito estar doente de uma folia Que nem dez mandamentos vão conciliar Nem todos os ungüentos vão aliviar Nem todos os quebrantos, toda alquimia E nem todos os santos, será que será O que não tem descanso, nem nunca terá O que não tem cansaço, nem nunca terá O que não tem limite

O avesso do avesso

Naquela noite maldita, sonhou com ela. Nas mãos, ele tinha uma flor e uma faca. O que aquela flor fazia ali? Diante da imagem dela, como se fosse nela, como se fosse nele, decapitou a flor. Pela manhã ainda sentia o cheiro das rosas. Se assustou quando viu que um espinho lhe espetara o dedo. Procurou pela faca. Na noite seguinte, se entupiu de rivotril. Melhor não sonhar de novo. Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor, e dou risada do grande amor. Mentira.

O efeito da trilha sonora

Era primeiro encontro. Ambos maduros, com histórias para contar, corações com remendos mas com o desejo de bater forte. Se sentaram num bar e uma boa música tocava ao fundo. Conversa vai, conversa vem, até que chega a hora do bendito silêncio, mãos que se tocam, olhos que se miram, os lábios se enchem de expectativa e... Parece que dizes, te amo, Maria! Na fotografia estamos felizes... Ainda te quero, bolero nossos versos são banais. Dizer que não quero teus beijos nunca mais... Mais um chope, por favor! Quem sabe o clima melhora na próxima música. O encontro era pra botar um fim em tudo. História desgastada. Fim de ano fazendo balanço e a certeza do the end. Ficaram dentro do carro mesmo, com aquele nó na garganta. Os olhos tristes. Ainda tinha aquele cheiro que despertava outras coisas, mas não era momento de mais nada além de resolver o que parecia caduco. O pen drive estava espetado no som do carro, e o modo aleatório ia escolhendo a trilha sonora. E quando deu o silêncio que a...

Chico nosso de cada dia

Tem aquela que faz acreditar que a vida vale a pena: Se eu soubesse Mas acontece que eu sorri para ti, e aí, larari, larará, liriri A que faz o coração se sentir entendido: Futuros amantes O amor não pressa, ele pode esperar em silêncio, no fundo de armário A que liberta todas as mulheres: Sob medida Sou perfeita porque igualzinho a você eu não presto A que me faz chorar: Querido diário E era o amor uma obscura trama, não bato nela, não bato, nem com uma flor, mas se ela chora o desejo me inflama A que pulo no som quando começa a tocar: Todo o sentimento Prometo te querer até o amor cair doente, doente... A minha biografia não autorizada: A violeira Me distrair nos braços de um barqueiro sonso e despencar na Paulo Afonso e no oceano me afogar

Cantei, cantei....

Foi o Chico

Era ele, o Chico Era ele, ali "Pensou que eu não vinha mais, pensou" Todas as Marias suspiravam Era ele, perto dos 70, cheio da ingenuidade do amor Era ele, depois de tanto cantar as dores e as mazelas, lindas, do amor, quem cantava apaixonado Afinal, "o amor não pressa, ele pode esperar" E o coração de cada Maria se encheu quando, um dia, "ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar" Um ano depois, o verso insiste em tocar "E aí larari larará"

Terezinha

O vigésimo terceiro me chegou Como quem estava por perto Ele me escuta, se interessa E não me pede um teto Me observou por tanto tempo E também sabe se mostrar Fala de coisas do dia-a-dia E quem sabe volto a amar

Trocando em Miúdos - Chico Buarque