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Mostrando postagens com o rótulo Tereza da praia

Oh moça

Oh moça Tão bonita a moça Assim como está a noite Assim feito a festa E a moça emburrada Impenetrável pela alegria do dia Faz isso não, moça A farra é agora Sopra essa faísca de vida E se deixa incendiar Vem, moça Vem viver O que tá ruim você resolve depois O riso é agora

Intransitivo

Amar é verbo intransitivo Eu amo Amo sem pudor, Sem regras prontas Sem me preocupar com o que vai parecer Amo intensamente cada toque na minha alma Amo os amores e as amoras Amo as crias, as minhas e as dos outros afetos Amo as flores que brotam aqui e ali Amo o sapato amarelo e o vestido azul Amo o ar que respiro e o sangue que pulsa em minhas veias E amo você, enquanto for bom para nós

Letras

A ela cabiam as saias Logo, o mundo estava restrito ao lar Ao longe, no mundo percorrido pelas calças, moravam as letras Foi o marido quem a ensinou a ler Letra por letra, ele apresentou a ela o alfabeto As frases eram conhecidas a quatro mãos As palavras tinham cheiro, gostos e encantos íntimos A narrativa com o tempo foi escrita pelos dois Junto dele se fez dona das letras Das idéias Do coração dele Da sabedoria do lar

Meu Menino

Vem cá, menino Vem contar as suas histórias Seus dias de guerreiro Suas habilidades de ninja Seu encanto arrebatador Vem cá, menino Encosta aqui no meu colo Esse coração acelerado Também gosta de bater no ritmo do meu Vem cá, menino Machucou aqui, não foi Essa batalha foi dura, né Tem cafuné e colo Silêncio e sussurros Eu sei, menino Por mais que cresça Tem um jeito vadio assim Um sorriso maroto Um montão de história Meu menino Tão seu De ninguém

Now

Pouco me interessa o fim Quero o encantamento do agora O gosto do seu suor Os corpos exaustos Os beijos E a paz Amanhã será o que vier De nós dois O que ficou de semente O jeito de quero mais Recíproco No tom do momento

Múltipla

Sou do lar Cuido, mimo, dou broncas Me doou às crias e a quem mereça Labuta diária de um amor sem fim Sou da firma Enfrento problemas sérios e soluções complexas Aprendo sempre um pouco mais Pago as contas Sou dos livros Me misturo nas narrativas dos outros Descubro os personagens em mim Me encanto com a cadência das palavras Sou das vísceras Aprendi meu corpo e encaro minha mente Limites e desfrutes Bastas e beijos Sou da vida O corpo que dança O álcool que sobe A mente que sublima Sou da pá virada Levo um tacape certeiro Palavras afiadas E me derreto em um cafuné Sou Maria Desdobrável Não há caixinha que me caiba Nem amor que finde em mim

Réveillon

Começar um amor é feito virar o ano Você continua você, ele continua ele Mas há aquela expectativa de que desta vez será melhor Será melhor porque é o amor começando outra vez Porque vocês aprenderam com o último E a vida está dando uma nova oportunidade É réveillon no coração Cheio de esperanças E brinde à felicidade Se der certo, mais um ano juntinhos pra renovar os votos Se der errado, logo logo vem outro aí

Batom vermelho

Hoje eu passei batom vermelho E não foi para você Foi para eu me olhar no espelho e rir Um sorriso arregalado, nada discreto Hoje eu vesti uma saia curta Só pra sentir o vento nas coxas Desfilar as pernocas por aí Puro desfrute, só meu  

Combinado

Tudo bem, eu aceito sua proposta: a gente vai se curtir sem se envolver. Apenas preciso que siga uma singela lista de proibições. Está proibido: - contar qualquer coisa interessante da sua vida, nem mesmo a forma como aprendeu a temperar o filé, nem contar daquela viagem à Índia; - falar da sua vida familiar afetiva, mostrar a foto do seu sobrinho, melhor mesmo não falar nunca sobre crianças; - gostar de música boa e (terminantemente proibido) tocar violão perto de mim; - me olhar nos olhos e deixar, ainda que por segundos, a alma falar; - pronunciar com afeto o nome de qualquer pessoa da minha família, inclusive o meu cão; - conversar sobre literatura e lembrar passagens de livros inesquecíveis; - falar sobre política mantendo sua visão humanista sobre o mundo; - usar aquele perfume e exalar seu cheiro natural; - passear as pontas dos dedos sobre a minha pele; - se sentir em casa quando estiver perto de mim; - ser minha morada, ainda que apenas no momento presente. Sei...

E tudo o mais

Eu posso ficar Porque gosto do seu cheiro Eu posso ir embora Porque no mundo tem muito mais O seu riso me encanta Na rua tem outros tons de azul A sua conversa me entretém As histórias são tantas Gosto do aconchego do seu abraço A minha vida flui tão bem sem você O afeto me prende A liberdade me lança Adoro o tempo ao seu lado Ainda preciso de tempo para saber quem sou Ficar Ir embora Eu Você E tudo o mais

Teresa

Teresa é da praia, do sol, do mar Solta pipa, vai no carrinho de rolimã Teresa usa batom e tênis Na bolsa leva um baralho pra jogar truco Bebe cerveja e come brigadeiro Teresa prefere praticar a jardinagem que ganhar flores Paga as contas Cuida de quem ama Vive um dia depois do outro Uns dizem que nunca vai casar Ela é livre demais para vestir as rédeas Rédeas? O vento ensinou a Teresa que ela pode Talvez, quem sabe, um dia Encontrar alguém que lhe vista asas

Detalhes tão pequenos

Ana: O vestido era branco. Cabelos soltos. Cheiro de flor. A calcinha... Ah, neste ano era vermelha! Rui que se cuide, que segure o axé da moça. Ele, que ainda nem havia se perguntado o que iria querer. Ele, que nem lembrou de colocar pra lavar a única bermuda mais ou menos branca que tem. Ele, que teve a sorte de pousar um avião no seu terreno. Ah, Rui, a Ana escolheu a calcinha vermelha!!!!! Beatriz: O vestido era branco. Os cabelos presos. Algumas jóias. A calcinha amarela, se possível dourada. Beatriz estava com o foco em colocar a vida nos trilhos. Nem perto nem longe, Ângelo observava. Sabia que estariam no mesmo ambiente no momento da virada. Por algumas vezes, imaginou um beijo de feliz 2015. Uma semana antes ele tinha a roupa separada para o evento. Ela ainda queria saber se encontraria a tal calcinha dourada. Cláudia: O vestido era branco. A saia era curta. A calcinha, mínima. Cláudia sabia que era dia de festa, que os desejos estariam soltos e que virada de ano é dia ...

Paradoxo do não querer

Não sabia definir a palavra Encantamento Desejo Estranhamento Distância Um querer que consome Assusta Chega a dar medo Medo do tanto que se quer Melhor ficar longe Entorpecer Flutuar Voar Leve como um beijo de balada Balada que leva E aquelas coisas que ficam Ficam pra depois A intensidade do agora É intensa demais Go, go, go!

O click

Não mora na beleza Talvez no sorriso Se revela entre argumentos Reluz entre boas histórias Não tem exatamente uma explicação Mas também não acontece do nada Se manifesta na gargalhada dos dois Num olhar de cumplicidade E nos beijos sem hora pra acabar O click O momento do encontro A tirada da armadura O desejo de quero mais Sem resposta exata Com muitas pistas E uma permissão para ver

Sabe o amor?

Sabe o amor? Aquele Aquilo Então, eu já vi. Na verdade, vejo sempre. Hoje ele veio forte em um e-mail. Ontem choveu em mensagens. Dias atrás estava num abraço em silêncio. E numa flor. No último final de semana explodiu em gargalhadas. Ah, o amor é assim sem vergonha. Sem forma definida. Sem hora de chegar. Ele está aí. Escondido e explícito. Tem cheiro. Tem gosto. Tem forma. E se multiplica, entre eu e você, e o outro também.

Parafusos

Tinha os parafusos bem apertados, e mal podia se mover Para ter liberdade, foi soltando um a um Ficaram bem frouxos Foi onde quis E quis ir a vários lugares Os parafusos frouxos permitiam o movimento Mas todo o corpo ficava sem controle Sem hora nem lugar de parar Identificou alguns que podiam ficar mais firmes Apertou, com parcimônia E foi buscando o ponto certo de cada um Uns apertados, uns frouxos, uns soltos Alguns até se perderam, e nunca fizeram falta Outros sustentavam, imóveis Cada um de um jeito Num equilíbrio perfeito

Bichinho

Não, eu não sinto nada. Foi só porque eu estava carente. Naquele outro dia ela estava realmente muito bonita. Daquela vez eu acordei pensando que queria um carinho. Semana passada ela que me pediu ajuda. Como negar? Ciúmes? Nunca senti. Saudade? Jamais. Tá, talvez um pouquinho. Mas já passou.

Um encontro

Era dia de encontro Encontro marcado, combinado, esperado. Acordou no horário de sempre. Tomou o banho de sempre. Escolheu um hidratante melhor. Escolheu o lugar do perfume. Ousou na lingerie. Era um dia de encontro Mas ainda era de manhã Muitas tarefas, muito por fazer Muitas horas para passar Foi chegando a hora O coração ameaçou uma festa Fez os últimos retoques Perfume, rímel, sombra, batom Sorrisos Encontro de argumentos Encontro de mãos Encontro de lábios Tudo tão espontâneo Como se fosse um dia qualquer

Eu acredito no amor

Eu acredito no amor Confio plenamente na mão que segura a minha No beijo que me aquece Nas palavras que convidam a bailar pelos cantos da alma Eu acredito no amor E pratico a amizade Abro o peito para o acalanto Me desdobro para entender o que fez do outro tão outro Eu acredito no amor Cultivo os laços de afeto E tento identificar ervas daninhas Porque não há amor que resolva a má fé Eu acredito no amor No eterno e no efêmero Que nasce na alegria ou na tristeza Que vem de dentro Que um dia morre E sempre nasce outra vez, na próxima esquina

Liberdade

Livre para voar Vôos longos Vôos sem volta Vôos ao redor Vôos só para espiar Com ou sem lugar para voltar Com parada marcada ou onde o vento deixar Basta ser livre para escolher.