Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo MariaMaria

Elas

Elas me complementam A doidinha A caxias A mãe de muitos Com elas, as gargalhadas As confissões sem freio O choro sem (tanto) motivo As bebedeiras Para elas, a sororidade Os conselhos nas trampas da vida O "parou o chilique" tão necessário Todo o meu amor

João Bobo

O coração era João Bobo Se animava Apanhava Caía E encarava uma outra vez A cada volta Um hematoma Uma descoberta Uma música na caixola Uma certa vertigem E um desejo incontrolável De se animar mais uma vez A dois

Gêmeos

Era lagarta e borboleta Sempre com cheiro de metamorfose De contínuo, a fé no amor O desejo pelo querer O encanto ao descobrir Era de gêmeos Multicor No ritmo da música Na dança com o sol Nos banhos de chuva

Incoerente

A cada vez que ela ouvia dele, com olhos insanos, um severo "você é incoerente!", se calava. Puxava na memória e não encontrava nenhum registro dos parâmetros que supostamente deveria seguir. Os anos passaram, e ela entendeu que a tal incoerência era apenas a sua espontaneidade. Para cada pedaço de vida vivida, um sentimento, uma reação, um galope no peito, um cheiro na memória.  E assim fez da incoerência um pedaço bonito de si mesma.

Bela, recatada e do lar

Tinha a Amélia E tinha a Capitu Ela tinha olhos de cigana oblíqua E assim se sentia mulher de verdade Era recatada com os sentimentos mais puros,  que só eram compartilhados com quem merece Cuidava da casa, das flores, das cores, dos amores, de tudo que construiu para ser lar Também ria alto, desejava mais, se refestalava na vida, sentia prazer em existir Era bela, no ato simples de viver Era a Maria de todos os livros, de todos os versos, todos os amores, todos os dias (Só não cabia numa certa revistinha semanal)

Meninos e meninas

Em tempos de rajadas de raios e trovões feministas, de reflexões, de corações frios e muitas perguntas sem respostas, vai aqui um depoimento de uma Maria. Sempre fui menininha, de bonecas e costuras, de arquinhos e esmaltes, de músicas e danças, de histórias e poesias, de amigas e namoradinhos. O feminino (será mesmo uma questão de gênero?) me ensinou que a realização do amor passa pelo cuidar. Com os meninos (será mesmo uma questão de gênero?), em todos os níveis, aprendi o gosto pela concretude. O pensamento pautado no sim e no não. A avaliação das hipóteses. A lembrança de que sempre se pode fazer uma escolha. A vida me mostrou os dentes e as flores. Quando menina, eu não sonhava com o casamento, muito menos com o divórcio. Fiz das palavras a minha labuta, dos sentimentos a poesia, e jamais imaginei que trabalharia num universo completamente masculino. Adulta, sou Maria João. Amo, cuido, faço escolhas e sou livre. Se é verdade que os homens precisam de uma mulher que lhe d...

Borboleta

Sabe por que homens e mulheres nunca serão iguais? Nós Marias não temos medo de amar, pois todos os meses sangramos e podemos começar tudo outra vez. A cada 28 dias, nasce uma borboleta!

Múltipla

Sou do lar Cuido, mimo, dou broncas Me doou às crias e a quem mereça Labuta diária de um amor sem fim Sou da firma Enfrento problemas sérios e soluções complexas Aprendo sempre um pouco mais Pago as contas Sou dos livros Me misturo nas narrativas dos outros Descubro os personagens em mim Me encanto com a cadência das palavras Sou das vísceras Aprendi meu corpo e encaro minha mente Limites e desfrutes Bastas e beijos Sou da vida O corpo que dança O álcool que sobe A mente que sublima Sou da pá virada Levo um tacape certeiro Palavras afiadas E me derreto em um cafuné Sou Maria Desdobrável Não há caixinha que me caiba Nem amor que finde em mim

Amigas, mulheres

Divorciei. E agora? Agora vou correr para os braços das amigas Borrar os olhos com as lágrimas e usar o rímel da Nina para retocar tudo assim que o aguaceiro passar Usar a saia curta que a Ana me deu Rir horas com a Rosa Ouvir verdades da Marcinha Levar a cria para brincar com as crias da Clô, e encher a cara enquanto as crianças correm pela casa Tomar café da manhã com a Bia Fazer aquela viagem com a Fabi Mandar zap zap de madrugada para a Dê Cuidar da ressaca da Lu Amar pra sempre a Gabi Redescobrir-se Refazer-se Entender a lindeza do feminino Sentir-se forte Ser eu Ser elas No plural