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Mostrando postagens com o rótulo A história de Lili Brown

E bota no corpo uma outra vez

Subiu no armário Buscou o saco com as fantasias e os apetrechos de carnaval Riu ao lembrar do dia em que usou aqueles cílios postiços E sentiu o coração gelado quando viu aquela saia de bailarina Era apenas objetos... carregados de lembranças e cheiros No cantinho da mente, tocava aquela trilha sonora As lembranças desbotadas de vodca Respirou fundo Misturou os acessórios novos com aqueles cheios de histórias Sorriu E decidiu se jogar nos braços do Rei Momo Como se fosse a primeira vez

Efeito palavra

A gente estava lá em casa, no sofá. Noite leve, delícias, um miudinho tão especial. Passava aquele filme. Eu cochilei no seu colo. Acho que até babei um pouco. Quando acordei você me contou da cena que perdi. A gente estava feliz. Era tudo tão nosso que ninguém se preocupou em dizer nada. Ah, essas palavras que congelam o que deveria apenas fluir. Eram apenas nós, os nossos cheiros, as nossas ideias, a nossa presença, a nossa sintonia, a nossa alegria. Não faltava nada, muito menos palavras. A cena ainda me nutre a alma. Pílula de alegria nada clandestina. A simplicidade do eu e você.  E na manhã seguinte a gente pertencia à cidade, a tantos outros, a tudo, menos a nós. Eu imagino a cena de ter te dito, docemente e decidida, "fica!". O nó da palavra. Fica na minha pele, fica na minha alma, fica nesse tempo à toa de nós dois. Fica perto, porque nessa noite, jogado no meu sofá, fincou bandeira no meu coração. 

Eu te amo

Quando se despediram pela manhã, ela disse o carinhoso "eu te amo", "eu te amo também" ele respondeu. Rotina. Todo dia eles fazem tudo sempre igual. As tarefas, os cuidados com as crianças, as compras da casa, as viagens de férias. O "eu te amo" fazia parte do cenário, assim como os móveis, o condomínio do mês, a professora da escola. A professora da escola tinha um jeito sério e doce. Ele sempre olhou para ela, interessado em saber mais. Ela nunca deu espaço. Foram passando os dias, os meses, mais de ano. Foram aproximando as conversas, os interesses, as mãos. Numa tarde de chuva, aproximaram os lábios, os corpos, as almas. Estava feito. Era com a professora que ele sonhava. Era ela quem ele desejava. Era o cheiro dela que entorpecia. Era o colo dela que acalmava. Passaram os meses. Outra vez era uma tarde de chuva, ela fazia um café para os dois. Enquanto olhava aquele homem que havia se instalado no seu ser, ela disse um sonoro "eu te amo"...

Homem em confusão

As amigas contam O Xico Sá lindamente escreve E a vida confirma Sim, é tempo de homens confusos Medo da ex Medo de perder o filho Medo de não ser autoridade Medo do desconhecido Medo de perder o controle Medo de se entregar Medo de ser ele mesmo Medo de gostar Medo de ter medo Será que leram a história da Chapeuzinho Amarelo? Será que ainda temem o lobo mau? Será que levaram tão a sério os contos de fadas com os príncipes que bastam ser príncipes? Será que esqueceram de crescer? Ou somos nós que fazemos tudo por eles, e assistimos, incrédulas, eles se tornarem atônitos?

Estado civil: surtada

Mulheres são inimigas, até que... se amam numa amizade sem fim são mães e quando se divorciam. Sim, Marias que perderam (ou largaram, ou expulsaram, ou sobreviveram a) seu Joões se unem na dor. Na dor, na euforia, nas expectativas, nas redescobertas, nos novos tempos. Marias surtadas, digo, separadas, são uma espécie de mulher maravilha com direito a jato invisível e laço mágico. Os olhos brilham, o corpo emagrece, a alma dança. De repente, volta a noite, voltam os flertes, voltam os sonhos, volta o quero mais. Super Marias podem mais. Até que passa a bebedeira. Até que acordam sozinhas em casa. Até que o jato invisível nem tem tanta graça assim. E lá vem Maria, só Maria, Maria só, bem acompanhada de si mesma, das amigas, dos sonhos e dos dias que vêm e virão, um de cada vez. PS: O crédito do nome do estado civil é de uma Maria muito especial!

Lili

Maria era do tipo furacão. Ainda com vinte e poucos, sabia bem o seu poder de sedução. E usava com quem quisesse, dona de si, da sua liberdade e do seu destino. Um dia, se apaixonou. Ele era um homem forte, de terno, dono de coisas e seguro das palavras. E lá foi Maria. Primeiro reduziu o decote. Depois equilibrou as palavras. Por fim escondeu o sorriso. Casaram. "Nunca mais romance, nunca mais cinema, nunca mais drink no dancing, nunca mais cheese, nunca uma espelunca, uma rosa nunca, nunca mais feliz"