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Limites e asas

Se achegue, a conversa está boa Puxa um banquinho, vamos dividir essa cerveja Os argumentos são ótimos Hum, que olhar Outra cerveja Onde vai essa mão Então tá Fica um pouco mais Volta amanhã Quero te contar daquela viagem E saber daquela sua história Nossa, te aconteceu tudo isso... Tem nó, né Eu te escuto Volta Vem conhecer os meus Disfarça se o assunto for política E por favor não grite Zeeeero Vai gostar do filé e das beringelas E rir com a boa prosa São parte de mim também Fica Traz as crianças Eu sei, aquele trampo está te fazendo mal Aqui tem colo Tem silêncio e filminho Calor Aconchego A gente se esquenta os pés E conforta a alma A gente pode qualquer coisa Qualquer coisa que ilumine os olhos Resgate o sorriso Ajuda no caminhar Faz sentido em ser Alegra o existir Vem ver Ouvir Compartilhar Andar junto Acarinhar Ser a dois Nós dois

Mania

E quando via a carinha dele nas redes sociais lembrava de algo bom Soltava uma risada no canto da boca Às vezes um suspiro Dependendo da falta de rédeas no coração no momento Fosse o álcool ou pura espontaneidade Entrava em contato E de súbito se lembrava porque havia parado de puxar conversa

Bela, recatada e do lar

Tinha a Amélia E tinha a Capitu Ela tinha olhos de cigana oblíqua E assim se sentia mulher de verdade Era recatada com os sentimentos mais puros,  que só eram compartilhados com quem merece Cuidava da casa, das flores, das cores, dos amores, de tudo que construiu para ser lar Também ria alto, desejava mais, se refestalava na vida, sentia prazer em existir Era bela, no ato simples de viver Era a Maria de todos os livros, de todos os versos, todos os amores, todos os dias (Só não cabia numa certa revistinha semanal)

Tesouro

Ela (Ele) tinha seus atributos E ele (ela) se encantava Com as medidas As texturas Os cheiros As palavras Os argumentos Mas onde ele (ela) se perdia Se norteava Se entregava Se escondia Se achava Era no quase milagre do colo dela (dele) No silêncio No aconchego Nas mãos atadas aos cabelos No tempo que não precisa ter fim

Tudo

Ela não economizou nos pormenores Escolheu tudo a dedo Brincos Rendas Perfume Vestidinho Calor Calor também nas panelas Cheiro de coisa boa Fome de quero mais Quando ela abriu a porta Ele entrou devagar Ficou acanhado de ver os detalhes Todos para ele Na pele Nos poros O vinho ajudou a descontrair a cena E durante aquelas horas Ela acreditou que ele valia a produção E ele concordou em ser tão especial Pelo menos naquela noite

O que cabe

Recebeu o presente Era sentimento E era amor Acolheu Até tentou Mas não tinha onde guardar O lindo regalo Não condizia com a arrumação E por mais que achasse um encanto Não havia espaço em que coubesse

Xero

E ele? Estou curada. E se ele te ligar? Nada que disser vai mudar. E se te mandar mensagens? Não me iludo mais. E se te mandar flores? Não é do tipo que manda flores. E se te der um cheiro no cangote? Vixi, aí complicou...