Pular para o conteúdo principal

Postagens

Ele pode esperar

- Hola, María! Soy yo. Não podia ser. Quase duas décadas depois e era ele ao telefone. Ainda que ela estivesse sentada, as pernas tremiam. Na cabeça, começou o Chico. Não se afobe não, que nada é pra já. O amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio, num fundo de armário... - Oi. - Estoy en Brasil. Pronto. Era a senha. O coração disparado. O sangue corria com pressa. A cabeça dava voltas. Fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização. - Pero estoy en Manaus, demasiado lejos. Lejos estava a razão dela. Como podiam bater assim os joelhos? De onde vinha essa reação? Onde ficou guardado tudo isso por tanto tempo? Quanto será que custa uma passagem pra Manaus? Se eu for na sexta será que segunda chego a tempo daquela reunião?  - Llamé porque quería oírte. Como estás? - Estou bem. Acho que melhor agora. Futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber do amor que eu um dia deixei pra você.

Lado B da folia

Quanto riso ó quanta alegria. Fantasia. Euforia. Folia. E tudo se acaba na quarta-feira. Bom mesmo é quando a gargalhada sai da gente mesmo sem fantasia. Bom mesmo é desejo sem hora marcada, beijo sem precisar do momento de distração. Bom mesmo é sentir que a simples presença de alguém faz batuque no coração. Bom mesmo é uma noite qualquer, eu, você e a vontade de estar juntos. Bom mesmo é ser atacada por um sorriso e brilho nos olhos por saber que vou te ver. Folia, folia mesmo, é o arrepio do meu corpo quando acha o cheiro seu guardado em mim.

Rapidinhas de carnaval 2

Mario Bros encarnou a fantasia. Se orientava pelo play e pause das moças. Até que veio uma menina fantasiada de nada, não disse nada e beijou muito. Chapolin Colorado estava muito seguro com sua astúcia. Exibia as antenas e o martelo sanfonado com orgulho. Mas a história que vai contar é que nem quer ser salvo da joaninha que grudou as asas, os olhos e até deixou umas pintinhas de purpurina nele. O smurf ranzinza ainda está reclamando porque o carnaval acabou e ele não beijou ninguém. O Pantera Cor de Rosa se conformou em ser Peppa Pig.

Rapidinhas de carnaval

O Pierrot apaixonado saiu em busca da Colombina. Passou uma bela Ariel e ele resolveu se aproximar. Se embrenhou nos seus cabelos vermelhos. Por algum tempo, alguns minutos, se lembrou da Colombina. Mas logo logo queria mesmo era tomar bons banhos de mar com a ruiva da avenida. A Colombina sempre ignorou o Pierrot. No carnaval, se jogou no samba. Pulou, sambou, piscou os olhos. Até deu uns beijos num pirata, um lenhador, um minion, um leão, um gatinho, um bombeiro, um frentista, um marinheiro, um vestido de mulher, e quem nem lembrava. Jesus dançou pole dance no poste do semáforo. A noivinha brincou com seu micro vestido branco e seu véu. Até se encheu de esperanças. Por fim desistiu do noivo e pegou uma ursinha carinhosa que mudou o seu destino.

Pupila acesa

E a pupila acesa do seu olho disse LOVE Era o raio gourmetizador da vida Não tinha jeito, estava explícito Era amor Podia negar, rogar pragas, fazer preces Podia buscar outros lábios, beber até cair Podia jurar um carnaval de pura folia Tudo em vão Era amor O jeito era aceitar os fatos Se ajeitar com esse sentimento que vem de nós e demora Deixar escapar os sorrisos Os suspiros O brilho nos olhos Porque amar alguém só pode fazer bem E qualquer amor já é um pouquinho de saúde Quando vê já foi pro pensamento Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão Acelera a asa do sorriso Muda o colorido, vira o ponto de visão (...) Livre, quando vem e leva Lava a alma, leve e vai tranquila E a pupila acesa do seu olho disse love Lenine

Eu te amo

Quando se despediram pela manhã, ela disse o carinhoso "eu te amo", "eu te amo também" ele respondeu. Rotina. Todo dia eles fazem tudo sempre igual. As tarefas, os cuidados com as crianças, as compras da casa, as viagens de férias. O "eu te amo" fazia parte do cenário, assim como os móveis, o condomínio do mês, a professora da escola. A professora da escola tinha um jeito sério e doce. Ele sempre olhou para ela, interessado em saber mais. Ela nunca deu espaço. Foram passando os dias, os meses, mais de ano. Foram aproximando as conversas, os interesses, as mãos. Numa tarde de chuva, aproximaram os lábios, os corpos, as almas. Estava feito. Era com a professora que ele sonhava. Era ela quem ele desejava. Era o cheiro dela que entorpecia. Era o colo dela que acalmava. Passaram os meses. Outra vez era uma tarde de chuva, ela fazia um café para os dois. Enquanto olhava aquele homem que havia se instalado no seu ser, ela disse um sonoro "eu te amo"...

Aqui jaz

Aos pés daquela montanha jaz um homem que amei Com as estrelas como testemunhas, eu me entreguei, de corpo, alma, cheiro, odores, palavras e lágrimas  O eco da cachoeira canta o nome dele, a correnteza embala a nossa história Bem perto daquela capela, sentindo o cheiro de Deus, eu fui feliz Mas naquela manhã, cegos de razão, mataram o amor