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João e Maria

João Lembro da primeira vez que a vi. Ainda menina, os olhos brilhavam. Uma menina encantada pelo mundo, e eu encantado por ela. Vi Maria crescer. Vi Maria se perder e se libertar. O tempo leva muita coisa, traz outras tantas, e tem aquilo que nunca muda. O que há no presente os dias poderão dizer, aos poucos. Maria Lembro dele por perto. Eu, tão menina, ficava encabulada com o que os olhos dele me diziam. O tempo passou e não me sinto mais menina, muito menos encabulada. O tempo leva muita coisa, traz outras tantas, e tem aquilo que nunca muda. O que há no presente os dias poderão dizer, aos poucos.

Estava escrito

Vi hoje essa anotação feita durante uma consulta de búzios em 16 de maio de 2012. "De repente tudo vai começar a pipocar. Vai passar um rio na sua vida. Segura na sua canoa e vai!" Me deu um frio na espinha... Passou um filme intenso na minha cabeça de tantos pipocos. Tantos, um zilhão de vezes mais do que eu podia imaginar. Deu até uma certa vertigem. O rio era bravo, denso, cheio de peixes, cantos de sereias, pedregulhos, água fresca, água morna, água viva. O rio se misturou à minha vida. As águas invadiram meus pulmões e me deram asas. A canoa ainda existe. Tá bem estropeada, mas aprendeu o ritmo das águas. Tanto as bravas quanto as mansas. A travessia ainda não acabou, mas já não tem o que revirar. Tudo refeito, pronto para o destino escolher o que virá.

Furacão

Ele bem que achava que sabia ficar escondido. Quem a conhecesse bem, saberia identificá-lo num brilho específico nos olhos, e também numa tristeza ali contida. Ele até podia se esconder, mas não tinha nada de discreto. Era imperativo, decisivo e por vezes devastador. Era a melhor e a pior parte dela. A ela cabia chamar o furacão de seu, saber que ele estava irremediavelmente instalado na alma dela. Juntos, tentando não fazer tanto barulho, seguiam, vida afora.

Timing

O coração dispara A pele arrepia A mente dispara A gente finge que nada está acontecendo O corpo adoece A cabeça dá voltas O tempo ora voa ora pára A gente não consegue disfarçar tanto A racionalidade tenta tomar o controle O coração insiste Os desejos plainam A disputa segue A hora de agir O pulo do gato A virada de chave A tomada de rédea O salto de desejo Just do it now

Amar o amor

Sim, é claro que se ama o outro mas também amamos o amor nos entregamos ao amar à narrativa do cotidiano às respostas aos instintos e desejos Sim, é claro que se ama o outro mas o desejo de amar vem primeiro o desejo de se fundir a alguém de ter uma história de amor para contar e lembrar quando chegar o fim Sim, é claro que se ama o outro mas o narrador da própria história busca as cenas mais marcantes que serão eternizadas no conto da história do amor.

Chico nosso de cada dia

Tem aquela que faz acreditar que a vida vale a pena: Se eu soubesse Mas acontece que eu sorri para ti, e aí, larari, larará, liriri A que faz o coração se sentir entendido: Futuros amantes O amor não pressa, ele pode esperar em silêncio, no fundo de armário A que liberta todas as mulheres: Sob medida Sou perfeita porque igualzinho a você eu não presto A que me faz chorar: Querido diário E era o amor uma obscura trama, não bato nela, não bato, nem com uma flor, mas se ela chora o desejo me inflama A que pulo no som quando começa a tocar: Todo o sentimento Prometo te querer até o amor cair doente, doente... A minha biografia não autorizada: A violeira Me distrair nos braços de um barqueiro sonso e despencar na Paulo Afonso e no oceano me afogar