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Não dito

Perto dela, lhe fugiam as palavras As mãos ficavam inquietas A respiração falhava E os olhos se enchiam de tanta qualquer coisa que ele não sabia nomear Perto dela, as coisas pareciam tão diferentes do que ele planejou, que era melhor se manter longe Mas daqui a pouco Ele queria olhar para ela mais um pouquinho.

Felina

Hoje ela veio me ver. Do nada, me chamou. Ela, de pelos cinza. Ela, com um arranhado no nariz feito o meu. Foi naquela noite de lua. Ela agora em cima do meu muro. Eu preso no apartamento. Ela mia. Eu desesperado. Os humanos vem a minha aflição, mas ninguém abre a janela. Não entendo. Mas deve ter a ver com o morador de cima. Ele tem dois passarinhos. Ele fica muito irritado quando vou na casa dele. Muito mesmo. Ele grita, me xinga, reclama. Minha humana fica tensa. Mas aqueles passarinhos... Neste momento, no entanto, só penso nela. Corro pela casa, procuro uma brecha. Nada. Ai, eu preciso sair. Um barulho de janela. O velho grito do senhor de cima. Os berros de sempre. Ela vai embora. Volta, minha gata!

Pequeno tufão

Os presentes da vida chegam sorrateiros De soslaio Quando a gente vê, o dia está azul A roseira floriu O sorriso brotou A conversa embalou A história seguiu E tem cheiro de amor no ar

Sobre ela

"A minha namorada não sabe gozar" "A minha esposa não gosta de sexo" "A minha ex era frígida" "A vida de solteiro adulto me ensinou que se quero sair mais de uma vez com a mesma mulher preciso melhorar no sexo oral" Olha, o papo é sério. Mulheres, gozai, uni-vos, e ensinem esses moços!!!!!

Estações

É fácil amar alguém no verão As peles coradas O sol para todos A exuberância em qualquer lugar Se vai amar alguém Observe como fica no outono Quando caem as folhas E ficamos despidos Amor que persiste suporta o inverno Aquele vento frio que nos joga bem pra dentro As noites longas sem estímulos externos E só o calor dos corpos pode nos aconchegar E fique muito atento na primavera Só quem se permitiu viver as estações E manteve as boas sementes Vai ter o que florir

Destino real

Ele sempre foi o príncipe (Ou sentia que deveria ser) À majestade, bastava existir para ser amado Ela era menina Livre, como deveria ser E à ela, vossa majestade não era ninguém Mas a realeza tem seus caprichos Era destino da moça pertencer a ele Ordem dada, ordem a ser cumprida Que viessem os capangas Que se esquecesse a lei Que empunhassem as armas Travestida de amor Era praticada a violência A menina já nada livre, sem brilho O rei com as mãos em seu cetro de sangue

Vento bom

Amar é difícil, intenso, transformador. Ao mesmo tempo sentir-se amado, então, é revolucionário. O amor chega feito tufão, e pode virar brisa fresca na construção cotidiana dos dois. Pode também virar ameaça para quem prefere não perder o controle. Pode dar medo a quem tem não quer se perder. Pode ser vertigem para quem gosta de ter os pés bem presos ao chão. E pode ser um lindo dia azul, a quem se permite ser pipa em tempo de vento bom.