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Bilhete

Escrevi entre os pelos do seu peito um recado Os dedos deslizaram, hábeis Cravaram ali tudo que nos conectava O bilhete falava daquelas coisas que são maiores que as palavras A linguagem dos poros Aquilo que alimenta nossas almas O seu coração leu o bilhete Respondeu aos galopes Quando me sentiu aninhada em você "Amor!"

Silêncio

De tudo, o mais sagrado é o teu silêncio Os momentos que dispensam palavras Os textos ditos pelas pontas dos dedos Os argumentos irrefutáveis que saltam dos olhos A paz que sentimos na simples presença do outro As palavras nos acompanham na lida As histórias narradas As vidas compartilhadas em prosa O teu silêncio é pura poesia Traduzida na minha pele

Quase

Ainda faltam 45 dias E já aprendi que isso é tempo demais para um ano intenso Mas já se pode dizer unas cositas sobre este 2016: O grande meteoro bateu na Terra e ele se chama estupidez A adversidade provoca mudanças estruturais, o que tambem pode ser bom O amor se multiplica, e brota de novo, onde a gente se permite ver. 2016 está prestes a acabar, mas suas marcas permanecerão por anos, anos de travessia .

Pés

Gosto do que me dizem os seus pés Quando te trazem até aqui Quando se livram dos sapatos rumo ao meu sofá Quando se entrelaçam com os meus na preguiça de uma manhã de sábado Gosto dos seus pés firmes na lida diária Pra cima junto dos pensamentos vãos Misturados aos meus em momentos mágicos Em outras terras, num intenso viver Se é verdade que meu lar é onde estão meus sapatos Que o meu sapato num longo tempo doce pise no seu

Dia dos mortos

A vida feita de chegadas e partidas Amores e ciladas Sol e chuva Sentimentos que nos viram ao avesso E no avesso formamos pares Cúmplices Semeamos alma Bebemos a tempestade Partem as pessoas Ficam as narrativas Os pedaços partidos Os corações revirados O fim do outro O recomeço da gente

Novembro

Novembro tem cheiro de chuva Tem cansaço acumulado Tem sensação de que já foi Novembro é início de fim É desejo de recomeço Plano de vôo sonhado Novembro talvez seja mês de ainda sem o desespero de dezembro decidir o que deve ser diferente Novembro, como todos os outros, é para beijar na boca e ser feliz

Colcha de retalhos

Tinha a alma feito colcha de retalhos Marcas Histórias Detalhes e narrativas Muitas cenas Gastas pelo tempo Mas ainda lindas Com e leveza do amadurecimento A colcha Tão ela Aquecia o amor Que acabou de chegar