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Encontros e desencontros

Ele me ligou cantando "La vie en rose" Ela me trouxe de presente uma cachaça especial Ele se dizia num tempo confuso, mas sempre vinha me ver Ela sabia que eu não queria envolvimento Naquela noite que passamos juntos eu fiquei muito apaixonada Ela me deixou boas lembranças Mas depois ele sumiu por uns dias Do nada, ela ficou nervosa comigo Ele era meio grosso Ela me pareceu muito carente Poxa, eu queria que tivesse dado certo.

Cultura do estupro

O toque desmontava, por instantes, a armadura Uma armadura rígida, pesada, enferrujada Uma armadura que ele não suportava mais carregar Ela tinha colo Ela sorria sem motivo Sem motivo, a ela bastava ele estar por perto Com valentia, Ele arrancou a armadura e jogou contra ela Fim da angústia. "A violência é o acolhimento virado do avesso" https://norasamaran.com/2016/03/25/o-oposto-da-cultura-de-estupro-e-a-cultura-de-acolhimento/

Tateando

Fazia das mãos os seus olhos Elas que sabiam a forma das curvas A temperatura do corpo As marcas de transpiração Quando a razão era tirada com as roupas Eram as mãos que recriavam todo o sentido Aos olhos cabia refletir o que saltava de dentro

Fail

Cometeu o erro grave Daqueles sem perdão Perdeu o senso Ignorou as regras: Num momento de descuido deixou escapulir um "estou com saudade", seguido por um "quero te ver hoje". Do outro lado da telinha dava pra sentir no touch o coração disparado. Era o fim Nenhum caso moderno sobrevive a isso Melhor (fingir que iria) recomeçar Com mais atenção da próxima vez.

Gêmeos

Era lagarta e borboleta Sempre com cheiro de metamorfose De contínuo, a fé no amor O desejo pelo querer O encanto ao descobrir Era de gêmeos Multicor No ritmo da música Na dança com o sol Nos banhos de chuva

Ilusão

Dias nublados Turbulências e truculências sociais E quanto mais a vida mostrava os dentes Mais eles se enredavam na pele do outro Ficavam assim aquecidos, amornados, ludibriados, torpes Docemente iludidos