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Clichês

Que venham os clichês Pode ser num cavalo branco Trazendo flores Que venham os beijos apaixonados As horas que passam lentas As histórias cheias de suspiros Que as estrelas sejam testemunhas As músicas melosas toquem Os corações disparem Que seja a meia luz Ainda que em meias verdades E ilusões inteiras Que seja amor E assim se pareça

Simples

Trocaram olhares Palavras Sorrisos Beijos Abraços E carícias Se gostaram Se envolveram Se misturaram Decidiram compartilhar uma parte da vida Foi do tamanho que tinha que ser E foi bom

Apenas música

Os anos me ensinaram a ver muita doçura na acidez de Zé Ramalho Beleza no machismo de Vinícius Amor na baranguice do Roberto Carlos Os anos não desligaram a trilha sonora do Chico que toca na minha cabeça Nem a euforia às vezes tensa das músicas do Skank E insistem que o Zeca Baleiro pode embalar quase todos os meus momentos Amo todos Letra Música Melodia As histórias da minha vida que eles cantam por aí

Combinado

Tudo bem, eu aceito sua proposta: a gente vai se curtir sem se envolver. Apenas preciso que siga uma singela lista de proibições. Está proibido: - contar qualquer coisa interessante da sua vida, nem mesmo a forma como aprendeu a temperar o filé, nem contar daquela viagem à Índia; - falar da sua vida familiar afetiva, mostrar a foto do seu sobrinho, melhor mesmo não falar nunca sobre crianças; - gostar de música boa e (terminantemente proibido) tocar violão perto de mim; - me olhar nos olhos e deixar, ainda que por segundos, a alma falar; - pronunciar com afeto o nome de qualquer pessoa da minha família, inclusive o meu cão; - conversar sobre literatura e lembrar passagens de livros inesquecíveis; - falar sobre política mantendo sua visão humanista sobre o mundo; - usar aquele perfume e exalar seu cheiro natural; - passear as pontas dos dedos sobre a minha pele; - se sentir em casa quando estiver perto de mim; - ser minha morada, ainda que apenas no momento presente. Sei...

Xadrez

Quando acordou, lembrou do sorriso dele Lembrou as palavras que trocaram E até sentiu o cheiro da cena Quando acordava tinha esses pensamentos espontâneos E assim, num clima bom, mandou uma mensagem de bom dia Do outro lado, ele recebeu a mensagem e ficou olhando pra tela Sem abrir o aplicativo, claro, para que ela não soubesse que ele leu Ele também lembrou da cena, também sorriu Mas preferiu deixar para mais tarde responder Era mais seguro Vai que ela pensa que ele lembrou dela ao acordar Vai que ela cogita que ele sente o cheiro dela na pele dele Vai que ela entende que ameaça o controle dele Vai que ela conclui que a companhia é agradável para ambos Bem mais tarde, ele mandou um "dia corrido" Ela respondeu qualquer coisa Já estava longe do sentimento espontâneo da manhã Era cada um num lance de xadrez Um jogo que, neste caso, só tem perdedor

Minha Pasárgada

Vou-me embora pra Espanha Onde não conheço o rei Ficar borracha nas Ramblas Com um homem qualquer que sempre amei Vou-me embora pra Espanha Viver de mariscos e sangrias Aprender a bater o pé com força E gritar Ole com alegria Vou-me embora pra Espanha Porque a Espanha sempre morou em mim