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Clichês

Que venham os clichês
Pode ser num cavalo branco
Trazendo flores

Que venham os beijos apaixonados
As horas que passam lentas
As histórias cheias de suspiros

Que as estrelas sejam testemunhas
As músicas melosas toquem
Os corações disparem

Que seja a meia luz
Ainda que em meias verdades
E ilusões inteiras

Que seja amor
E assim se pareça

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O amor quando se instala

O amor chega pelas flores E para que elas permaneçam É preciso aumentar a quantidade de folhas Fortalecer o caule Oxigenar a estrutura Em estágios avançados O amor reestrutura a raiz O que causa certa vertigem O momento do novo A entrada de tanto ar e água O amor se instala nas flores Folhas Caule Raízes Você inteiro: ar, água, tudo.

Pra sonhar

Que se danem o senso crítico, a Pós Modernidade, os profissionais do mau agouro Que fique no passado o que nos passou Non, rien de rien Quero me casar ao som de Marcelo Jeneci Assim "Pra sonhar" E nos entorpecer para viver os dias cinzas Eu aceito pagar língua, assumir-me irremediavelmente romântica Com a licença de Pessoa, ser ridícula Ao seu lado.

Partida e chegada

Houve um tempo em que o verbo era ir Movimentar, mudar de rota, transformar A nobre missão de passar de lagarta a borboleta Hoje o verbo é fazer morada Eu, tu, nós, eles A também nobre missão de se olhar sem medo De construir a vida no coletivo, de encanrar a rotina árdua do verbo (me/te/nos) amar