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Janela da alma

A dor física era tanta que atingia a alma A dor na alma era tanta que era também física Não havia pra onde correr Não tinha como adiar Não adiantava temer Não tinha escolha Eram os fatos e nada mais Nenhuma palavra conseguiria nomear Nenhum som poderia exprimir Nenhum gesto poderia fazer Era. Apenas era. Nos olhos, estava tudo. Toda a dor O amor A cumplicidade O aconchego onde ele podia existir. Olhos nos olhos Alma com alma O amor na sua forma mais bruta

Carona no guarda-chuva

Carona no guarda-chuva Sorriso de bom dia Flores (a qualquer momento, em qualquer lugar) Beijo na ponta do nariz - a quem for de direito Beijo na boca - a quem sabe que pode Uma explicação técnica Uma indicação de endereço Um abraço Uma conversa à toa Alguém por perto Uma gentileza qualquer De todo o caos, ficam as pequenas delicadezas

Feliz

Felicidade é um estado assim ... autônomo! De repente, às vésperas de uma eleição que dá muito asco e pouca esperança, vendo muitos sonhos navegando em barquinho de papel, Assim sem nada aparente que justifique, Lá vem ela, sorrindo Com essa mania de achar que assim está bom, e vai melhorar! Felicidade é mesmo uma questão de ser

Mãos pequenas

Coração fechado não dá pra abrir com marreta, martelo e prego Isso é coisa de quem tem o coração aberto, coração que salta e diz leva eu! Coração fechado é aberto por mãos pequenas, dessas que parecem inofensivas, que vão se achegando de mansinho Não tem explicação  Não tem motivo Não há nada que justifique É só um sentimento bom Com gosto de quero mais Que as minhas mãos sejam pequenas para entrar no seu peito E o meu colo seja grande pra te caber inteiro!

De onde ele vem

De onde vem o amor? De dentro!  Mas como ele entra? Vem pelo umbigo É sugado junto do leite materno Entra pelos ouvidos nas canções de ninar É aprendido nas lições de A B C Está nas cantigas de roda Nos brinquedos compartilhados Quem sabe escondido no primeiro beijo Na roda de amigos Na cola da prova Nos olhos nos olhos O amor está em qualquer lugar, desde que saiba ver e sentir Sorte de quem recebeu pelo umbigo e não perdeu por ai.

oi, estranho

oi, estranho de onde você vem? talvez de algum lugar longe talvez daqui mesmo talvez estivesse escondido dentro de mim deste lugar que não conheço (ou não ousei olhar) você traz novidades raridades estranhices coisas que ainda nem sei que tanto gosto pode entrar, estranho (ou seria pode sair) o mundo longe ou perto é só do tamanho que a gente pode ver me empresta seus olhos me mostra outras flores outros cheiros de chuva outros caminhos tortos me canta novas músicas assim eu vejo um pouco mais

Verbo

De todos os verbos, escolho o FLUIR Pegar o tom Sintonizar na energia Seguir o fluxo Ir e deixar ir Que venham as pedras As flores Os galhos Os cheiros Os gostos Os que sejam No tempo certo No ritmo certo Vida que flui