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Segundo sol

E assim Numa manhã fria de sábado O coração acorda com vontade de bater Músicas brotam na caixola A luz do sol parece entrar com mais força As cores ressaltam As cortinas balançam no ritmo da vida No gingado do agora "Eu só queria te contar Que eu fui lá fora Vi dois sois num dia E a vida que ardia Sem explicação"

Escolhas

Dos sentimentos, o amor, a amizade, a lealdade, a gratidão  Das práticas cotidianas, as palavras, o abraço, o beijo e o riso Para todo o resto, a paciência e a sabedoria.

Quadrilha

João foi traído por Ana Joana um dia concluiu que nunca amou Pedro Zé jurava que nunca foi amado Ana buscava, em cada linha, um amor cor de rosa que nunca existiu João achava que seria traído por Beatriz Joana que não saberia amar Zé desistiu Ana se fechou Cada um via apenas a própria dor E nem percebia quando um perfume bom pairava no ar.

Historinhas de desamor

Ela estava no trabalho, concentrada. De repente, chegaram as flores. No cartão, um "surpresa!", sem assinatura. Mas ela não tinha dúvidas de quem era o remetente. Era o mesmo com quem se encontraria mais tarde. Ela estava pronta, discretamente bem vestida e perfumada. Na saída, como combinado, ele chegou na porta da empresa. Ela entrou no carro saltitante, carregando o buquê. Abraçou o rapaz, e repetia sem observar a cena: "eu adorei! eu adorei!". Quando finalmente parou para observar, viu a cara de desconforto dele. Sem graça, ele anunciou: "são lindas as flores, mas não fui eu quem mandou." Sem saber o que fazer, ela jogou as flores no banco de trás do carro. Ainda tentaram ter uma noite agradável, mas o cheiro de velório se instalou na na cena que se tornou moribunda. xxxxxxxxx Era terça-feira. Fazia um ano que estavam juntos. Dia de aniversário de primeira vez. Mil lembranças passavam pela cabeça dela. O primeiro beijo, a primeira entre...

Porco espinho

Reza a lenda, ou a biologia, que o porco espinho, para não sentir frio nem fisgar o companheiro, acha a distância ideal para entrelaçar as lanças, respeitando os limites. Juram os apaixonados que o amor supera qualquer espinho, até que se ferem de morte. Praguejam os corações machucados que os espinhos viram feridas eternas, que não hão de curar. Ensina o tempo que tudo passa, e as prioridades são invertidas. E cada pessoa que te atravessa a vida tem um palpite diferente sobre o tema. Espinhos, escudos, lanças, corações kamikazes. Cada porco espinho por si.

Flores

A gente vive para ver as flores Suas cores Perfumes Texturas Toda a delicadeza É pelas flores que semeamos Plantamos Fazemos podas - ainda que intensas Colocamos adubo E esperamos o tempo certo

O óbvio do índio

Para morrer, basta estar vivo. O sol nasce todas as manhãs. É preciso chuva para florir. Tal qual o índio do Caetano que revelará aos povos, a vida mostra o óbvio. Óbvio é o sorriso, óbvia é a lágrima, estranhos são os sentimentos mal digeridos, ruim é aquilo que ainda não conseguimos contar. Verdade é a vida nossa de cada dia, com seus pequenos milagres.