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Para que flores não faltem

Das pequenas conchas veio o anúncio do destino: Acabou a tempestade! Só daqui a muitos anos você passará por outras transformações tão intensas. Tudo está encaminhado para o recomeço. Bênção divina Conquista Mérito Pura sobrevivência Alívio A vida no miudinho As manhãs apenas com gosto das manhãs Fica com a Marisa Monte as palavras da oração: "Ouve o barulho do rio, meu filho Deixa esse som te embalar As folhas que caem no rio, meu filho Terminam nas águas do mar Quando amanhã por acaso faltar Uma alegria no seu coração Lembra do som dessas águas de lá Faz desse rio a sua oração Lembra, meu filho, passou, passará Essa certeza, a ciência nos dá Que vai chover quando o sol se cansar Para que flores não faltem Para que flores não faltem jamais"   

O efeito da trilha sonora

Era primeiro encontro. Ambos maduros, com histórias para contar, corações com remendos mas com o desejo de bater forte. Se sentaram num bar e uma boa música tocava ao fundo. Conversa vai, conversa vem, até que chega a hora do bendito silêncio, mãos que se tocam, olhos que se miram, os lábios se enchem de expectativa e... Parece que dizes, te amo, Maria! Na fotografia estamos felizes... Ainda te quero, bolero nossos versos são banais. Dizer que não quero teus beijos nunca mais... Mais um chope, por favor! Quem sabe o clima melhora na próxima música. O encontro era pra botar um fim em tudo. História desgastada. Fim de ano fazendo balanço e a certeza do the end. Ficaram dentro do carro mesmo, com aquele nó na garganta. Os olhos tristes. Ainda tinha aquele cheiro que despertava outras coisas, mas não era momento de mais nada além de resolver o que parecia caduco. O pen drive estava espetado no som do carro, e o modo aleatório ia escolhendo a trilha sonora. E quando deu o silêncio que a...

Razão e coração

Escolheu o emprego com a razão Viveu o trabalho com o coração Escolheu o amor com o coração Viveu os dias a dois com a razão E quando acreditava que estava sendo racional Descobria a emoção dando as rédeas E quando jurava ser puro amor Escuta as observações de quem sempre analisa Por fim não sabia de onde vinha qual ordem Quem dizia para seguir Quem mandava parar Se conformou que dava na mesma Pois tinha uma razão que se derretia E um coração bravo, bom de briga

Outra vez dezembro

E lá vem ele Vem pra te mostrar que o tempo passa Dizer que a vida corre Lembrar que os sonhos existem Te colocar no teu lugar E lá vem ele Passa a régua no que não foi Lamenta o não feito E faz promessas do que virá Quiçá

Para o meu novo amor!

Eu ainda não senti o cheirinho dela, Nem senti os seus dedinhos miúdos apertando minha mão Mas ela, tão pequena, tão amada, já fincou uma bandeira no meu peito Afilhada, filha da irmã que escolhi na vida Que seja bem vinda a pequena Isabela Para ser amada, acolhida, cuidada e sempre bela Porque beleza, meu amor, é o que você traz para esse mundo A cada vez que abrir os olhinhos A cada miudeza que descobrir Para cada pessoa que tocar o seu coração O meu coração já é seu!

Desejo

Sim, eu desejo Sem culpa e sem amarras Desejo e seguro as pontas do que virá Desejo sabendo que todo sim vem junto de um não  Sim, eu quero Ainda que não consiga Ainda que eu tenha que abrir mão do seu  avesso Sabendo que pode dar errado, ou certo Desejo e quero E faço disso minha oração  Devota Atenta Cuidando da semente que há de germinar

Escolhas

As escolhas são fruto da razão. Analisamos, botamos na balança, comparamos com o plano traçado e escolhemos. As escolhas são fruto do coração. Por mais que a razão tente controlar tudo, os sentimentos berram e é inútil tentar se enganar. As escolhas são fruto do destino. Até tentamos controlar o porvir, mas o acaso é quem embaralha as cartas que vamos jogar.