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Desculpe, Bauman

Não, os amores não são líquidos
Líquidos são os prazeres
Liquefeitos
Voláteis
 Efêmeros
Talvez, divinos

Os amores são sólidos
Criados no momento mágico do encontro
Quando duas almas de entrelaçam
Longe de armaduras
Sem as amarras dos outros além de nós
Humanos

Prazeres são dádivas
Amor é construção
Cria nós
Tijolos
Caminhos
Tão sólidos quanto o trabalho feito por nós dois

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O amor quando se instala

O amor chega pelas flores E para que elas permaneçam É preciso aumentar a quantidade de folhas Fortalecer o caule Oxigenar a estrutura Em estágios avançados O amor reestrutura a raiz O que causa certa vertigem O momento do novo A entrada de tanto ar e água O amor se instala nas flores Folhas Caule Raízes Você inteiro: ar, água, tudo.

Obscura trama

Ela estava amarrada, imóvel. Ele estava em surto, irado. Irredutível. Foi seguindo o seu plano macabro. Tirou gota por gota de sangue. Enquanto pode, ela gritou. Até apagar. Pego em flagrante, ele foi preso. Ela já morta. Anos a fio, ele definhou na prisão. E o que lhe mantinha vivo era lembrar a alegria de viver que ela tinha, e que, um dia, foi compartilhada com ele.