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Fé cega faca amolada

Acreditava no que os olhos dele diziam
Via bem quando os olhos brilhavam
E sentia arrepios quando era atravessada por aquele olhar que a mirava bem dentro

Acreditava no que a pele dele dizia
O arrepio ao toque
Cada gota de suor
As peles e pernas misturadas quando não sabiam quando acabava ela e começava ele

Acreditava também, e essa era a parte mais difícil, nas palavras que ele dizia
Quando falava olhava para o chão, escondendo o olhar
Se encolhia, disfarçando as mensagens da pele
E as palavras diziam coisas descombinadas com os outros dizeres

Mas tudo estava dito.

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