Pular para o conteúdo principal

Rosas vermelhas

Ele sabia que não tinha mais o que dizer. Gostava dela, era verdade, mas estava certo de que não poderia se entregar. Num ato meio impensado, tentando mantê-la por perto, enviou flores.

Ela estava em casa quando tocou o interfone. "Flores para Maria!". Ela desceu ao portão com o coração aos pulos. Pegou o buquê e foi logo pegar o cartão.

Cartão? Cartão? Onde estará o cartão?

O entregador tinha ido embora. Ela estava certa de que o cartão ficara caído no carro de entregas. Estava ávida por ler a declaração que ele finalmente fizera. Ligou para a floricultura. "Não, senhora, não tinha nenhum cartão junto das flores".

Ela olhou para as rosas vermelhas primeiro com desprezo. Depois com ódio. Queria por escrito o que as lindas flores poderiam um dia dizer. Jogou o buquê no lixo.

Sem falsas promessas, nem mesmo as das rosas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O amor quando se instala

O amor chega pelas flores E para que elas permaneçam É preciso aumentar a quantidade de folhas Fortalecer o caule Oxigenar a estrutura Em estágios avançados O amor reestrutura a raiz O que causa certa vertigem O momento do novo A entrada de tanto ar e água O amor se instala nas flores Folhas Caule Raízes Você inteiro: ar, água, tudo.

Entranhado

Não sei em qual canto da minha cama você guardou o seu cheiro Ele permanece ali, instalado, em algum que não sei perder, só achar Deixou um pouco ainda na minha nuca, bem atrás da orelha, e sinto forte quando passa um vento bom Ficaram também palavras no meu vocabulário, coisas que eu não costumava dizer antes de você se entranhar na minha vida Entranhar Estranhar Entornar Entortar Entorpecer Ser