Pular para o conteúdo principal

Meninos e meninas

Aos 6 anos:
- Eu estava olhando para ele de longe, sem ele me ver. Aí ele viu. Viu, veio correndo, me disse "oi!". Saiu correndo e foi brincar com os meninos. Eu queria falar com ele, mas não consegui.

Aos 20 anos:
- A gente estava no mesmo bar. Não havíamos combinado. Mas de repente estávamos os dois, ali. Eu sei que ele queria me ver. Eu queria muito que a gente se encontrasse. Ele me viu de longe, sorriu, olhou para o chão. Eu ia me aproximando, quando uma menina parou pra conversar com ele. Fui para o outro lado. Depois vi que ele foi embora, sozinho.

Aos 40 anos:
- Soube que ele se casou, teve dois filhos. Depois se separou. Dizem que está arrasado. Homem lida tão mal com sentimento, com refazer a vida. Será que ainda vai naquele bar? Estará careca? Barrigudo? Ainda terá aquele sorriso sem vergonha? Será bom pai? Quem sabe não vejo ele meio perdido, naquela festa da semana que vem? Desta vez pago pra ver.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O amor quando se instala

O amor chega pelas flores E para que elas permaneçam É preciso aumentar a quantidade de folhas Fortalecer o caule Oxigenar a estrutura Em estágios avançados O amor reestrutura a raiz O que causa certa vertigem O momento do novo A entrada de tanto ar e água O amor se instala nas flores Folhas Caule Raízes Você inteiro: ar, água, tudo.

Obscura trama

Ela estava amarrada, imóvel. Ele estava em surto, irado. Irredutível. Foi seguindo o seu plano macabro. Tirou gota por gota de sangue. Enquanto pode, ela gritou. Até apagar. Pego em flagrante, ele foi preso. Ela já morta. Anos a fio, ele definhou na prisão. E o que lhe mantinha vivo era lembrar a alegria de viver que ela tinha, e que, um dia, foi compartilhada com ele.