Pular para o conteúdo principal

Sargenta

Ela olhava vigilante. Braços cruzados, olhos fixos, nem esboço de sorriso. Cena difícil de entender num ambiente descontraído.
Na outra ponta da lança dos olhos estava ele. Tentava agir como se estivesse livre. Mas era impossível não ver a sargenta que vigiava.

Vigiava o quê, meu deus?
Medo de ele ver outra bunda que passava, medo de ele ser irremediavelmente flechado pelo cupido, medo de ele ver que a vida existe além dos olhos dela?

E sob a lança, ele vivia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O amor quando se instala

O amor chega pelas flores E para que elas permaneçam É preciso aumentar a quantidade de folhas Fortalecer o caule Oxigenar a estrutura Em estágios avançados O amor reestrutura a raiz O que causa certa vertigem O momento do novo A entrada de tanto ar e água O amor se instala nas flores Folhas Caule Raízes Você inteiro: ar, água, tudo.

Obscura trama

Ela estava amarrada, imóvel. Ele estava em surto, irado. Irredutível. Foi seguindo o seu plano macabro. Tirou gota por gota de sangue. Enquanto pode, ela gritou. Até apagar. Pego em flagrante, ele foi preso. Ela já morta. Anos a fio, ele definhou na prisão. E o que lhe mantinha vivo era lembrar a alegria de viver que ela tinha, e que, um dia, foi compartilhada com ele.