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Eu te amo

Eu te amo até se diz com palavras Mas é muito dito em troca de olhares Em mãos dadas Pernas entrelaçadas No ritmo único de noites eternas Eu te amo também se diz em insultos descabidos Em acusações desmedidas Agressões viscerais Crias do medo de amar Eu te amo se diz do avesso Daquele lugar que pouco se controla Quase nada se sabe E muito se perde Eu te amo quer dizer que se está preso Não por simples vontade E sim pelos nós dados com as veias, os poros, os afetos, as (não)entregas, o desejo incontrolável de estar entrelaçado.

Revolução

De repente, havia trocado de pele Mudou as referências Sentiu um novo pulso nas veias Não havia dor Mas novos caminhos De repente, fez sentido Era o apocalipse A nova era Vivia, sem volta, a revolução do amor

Irremediável

Os amores não têm tamanho definido, nem intensidade Eles acontecem quando lhes convém Se manifestam em toques irremediáveis na alma E deixam cicatrizes que florescem nas primaveras Às vezes doem no inverno E sempre dão uma pincelada de cor na velha paisagem

Sinônimos

E como poderia ser amor outro que não o puro acolhimento A suavidade dos toques que mudam o caminho das veias A narrativa densa que embala os alicerces nada retos da existência A confusão das vidas compartilhadas num porre de paixão com alguma lógica E como poderia ser amor outro que não essa insanidade que cura Essa mistura de vidas cheias de arestas Esse pulsar de mãos dadas Esse abraço caloroso Essa história de nós dois

Retalhos

De cada amor vivido, Os arrepios na pele, Os sopros de delicadeza na alma, Os sorrisos, Também os medos, Os aprendizados sobre si e o outro, As cicatrizes dos tombos inevitáveis, O desejo de recomeço, Aquilo que bota no corpo uma outra vez. De cada amor vivido, A gratidão pelo que foi vivido E principalmente de tudo que outra vez virá Refeito Maduro Feliz.