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De onde ele vem

De onde vem o amor? De dentro!  Mas como ele entra? Vem pelo umbigo É sugado junto do leite materno Entra pelos ouvidos nas canções de ninar É aprendido nas lições de A B C Está nas cantigas de roda Nos brinquedos compartilhados Quem sabe escondido no primeiro beijo Na roda de amigos Na cola da prova Nos olhos nos olhos O amor está em qualquer lugar, desde que saiba ver e sentir Sorte de quem recebeu pelo umbigo e não perdeu por ai.

oi, estranho

oi, estranho de onde você vem? talvez de algum lugar longe talvez daqui mesmo talvez estivesse escondido dentro de mim deste lugar que não conheço (ou não ousei olhar) você traz novidades raridades estranhices coisas que ainda nem sei que tanto gosto pode entrar, estranho (ou seria pode sair) o mundo longe ou perto é só do tamanho que a gente pode ver me empresta seus olhos me mostra outras flores outros cheiros de chuva outros caminhos tortos me canta novas músicas assim eu vejo um pouco mais

Verbo

De todos os verbos, escolho o FLUIR Pegar o tom Sintonizar na energia Seguir o fluxo Ir e deixar ir Que venham as pedras As flores Os galhos Os cheiros Os gostos Os que sejam No tempo certo No ritmo certo Vida que flui

Uma dose de amor

Se encontraram no local combinado. Uma cena já conhecida dos dois. Ele viu a alça do sutiã dela e entendeu. O perfume dela trazia boas lembranças. Conheciam os olhares, os sorrisos, as palavras não ditas do outro. A noite foi exatamente como esperavam. Conversa boa. Argumentos intrigantes. Debates e sorrisos. Pele. Beijos. Conheciam todo o roteiro. Beberam juntos. Mais uma dose! Se olharam. Se viram. Se corresponderam. Carícias. Olhos nos olhos. Falaram da vida, das crianças de hoje e as que virão. Contaram as trampas da rotina louca.  "Você emagreceu? Esta tão bonita!" Eram cúmplices, entregues. Dormiram abraçados. Pela manhã se despediram com um beijo doce. "Que tenha um bom dia", disseram, como se assim fosse. Ela voltou à cama e tragou mais uma vez o cheiro dele que ainda morava nos lençóis. Guardou na memória. Até a próxima dose.

Desejo

O desejo Este obsessivo incansável  Inflama Se sobrepõe a tudo Tira do eixo Dispara hormônios Suores Prende os pensamentos Ativa a imaginação  Convida pra roda Samba Estremece Faz a festa Perde o juízo Perde a razão  Perde o rumo de casa Ele, o desejo É o irmão mais maduro da paixão  Efêmero  Único Quando está presente é dono de tudo Quando vai embora deixa rastros Palavras engolidas Um sorriso no canto na boca

Quem é você?

Cada um é o que aparece no espelho E também em cada foto, posada ou espontânea É o que diz sem pensar quando acorda Enquanto dorme Quando bebe Quando sofre E quando não cabe em si de tanta alegria É o que escapa no sorriso Nas palavras duras Nos gestos Na rotina É a soma de cada amor Do que o vento trouxe e levou Cada banho de mar Cada mergulho de cachoeira Cada pé torcido Cada arranhão - no corpo, na pele, no peito, na alma É o que decide E as consequências do que escolheu Tudo que fez, faz e fará Para ser aquilo que parece com o que aparece no espelho

Parafusos

Tinha os parafusos bem apertados, e mal podia se mover Para ter liberdade, foi soltando um a um Ficaram bem frouxos Foi onde quis E quis ir a vários lugares Os parafusos frouxos permitiam o movimento Mas todo o corpo ficava sem controle Sem hora nem lugar de parar Identificou alguns que podiam ficar mais firmes Apertou, com parcimônia E foi buscando o ponto certo de cada um Uns apertados, uns frouxos, uns soltos Alguns até se perderam, e nunca fizeram falta Outros sustentavam, imóveis Cada um de um jeito Num equilíbrio perfeito