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Navegar é preciso

A vida? A vida dá as cartas Faz trampas Te lembra que estás vivo A vida tem regras próprias Inventadas por ela Ora mágica, ora má Sempre certa A nós? A nós cabe viver Um dia depois do outro Com o sabor das manhãs Nessa astronave que tentamos pilotar O norte é a paz O bom é amar E sempre que der, Vai com um sorriso no rosto

Amor de mãe

Ele não é discreto Nem delicado Por vezes doce Por vezes duro Desde que ela chegou É como se sempre tivesse existido O que sinto brota no que tenho de mais íntimo Mais instintivo É da carne, do sangue, dos poros É da alma inteira Amor que arrebata Refaz Transforma Eu nasci com ela e ela nasceu de mim

#tamojunto

Eu vou lhe dar a medida do Bonfim E também o disco do Pixinguinha Tem um poema lindo do Neruda que quero ler para você  Comprei lençóis novos Tanta lembrança velha precisando acomodar aqui dentro Sei lá, de repente uma esperança Vontade de dar certo Vou renovar a identidade, o passaporte Vamos tomar a saideira juntos Dar as mãos por aí

Bichinho

Não, eu não sinto nada. Foi só porque eu estava carente. Naquele outro dia ela estava realmente muito bonita. Daquela vez eu acordei pensando que queria um carinho. Semana passada ela que me pediu ajuda. Como negar? Ciúmes? Nunca senti. Saudade? Jamais. Tá, talvez um pouquinho. Mas já passou.

Zen noção

Num bar de rock... - Posso ler sua mão? - Não. - Eu sou sensitivo. - Que bom. - Sabe Jesus Cristo? Eu sou igual a ele. - Você também será enforcado e esquartejado? Tadinho! - Você sabia que tem o terceiro olho? - Hum. - Essa sua marca de catapora na testa é uma evidência do seu terceiro olho. Aliás, eu também tenho. - O meu terceiro olho está me mostrando um caminho sagrado daqui até o bar. - Vamos aproximar os olhos de Shiva?! - Garçon!!!! Uma vodca, pura!

A dois

Se um não quer, dois não amam Porque amor é exercício É prática É projeto elaborado a dois. Um sozinho até deseja Se deixa tocar pela mágica do querer Pela revolução do toque Vai embalado no som das palavras - sem se preocupar em ouvir. Mas a mágica do encontro é a dois Entre suores e carícias Ritmos e harmonias Em dias de sol e dias de chuva

As chaves

Sono com sustos Despertador que parece precipitado Chuveiro tão bom, mas por tão pouco tempo Calça jeans que agarra no hidratante da pele Chave esquecida em cima da mesa Volta da garagem, pega a chave Dá a partida com o carro Quase pega a pilastra Sempre um molenga no carro da frente Vaga que nunca aparece Relógio acelerado Comida com gosto de qualquer coisa. Trabalho árduo da semana entregue. Não é que o dia está azul?! "Eu perco as chaves de casa Eu perco o freio Estou em milhares de carro Eu estou ao meio Onde será que você está agora"